Para pacientes
Cirurgia periodontal
A cirurgia periodontal não é o ponto de partida do tratamento: é um recurso para situações específicas, quando o tratamento não cirúrgico chegou ao seu limite ou quando há um problema que só o acesso cirúrgico resolve. A decisão é sempre tomada depois da reavaliação, com o periograma em mãos, e discutida com o paciente.
Quando a cirurgia é indicada
As indicações mais comuns:
- Bolsas profundas que persistem após a raspagem e o alisamento radicular, em regiões onde os instrumentos não alcançam o fundo da bolsa sem acesso direto;
- Defeitos no osso causados pela periodontite, que podem se beneficiar de procedimentos regenerativos;
- Retração gengival que causa sensibilidade, dificulta a higiene ou incomoda o paciente, em casos selecionados;
- Aumento de coroa clínica, quando é preciso expor mais estrutura do dente para permitir uma restauração ou prótese bem adaptada;
- Excesso de gengiva que atrapalha a higiene ou a função.
Tipos de procedimento, em linguagem simples
- Cirurgia de acesso. A gengiva é delicadamente afastada para permitir a limpeza direta das raízes e do defeito ósseo, e depois reposicionada. É a cirurgia periodontal mais frequente.
- Procedimentos regenerativos. Em defeitos ósseos com anatomia favorável, podem ser usados biomateriais ou membranas para estimular a recuperação parcial dos tecidos de sustentação. A indicação depende do formato do defeito e é avaliada caso a caso.
- Enxertos de gengiva. Deslocam ou acrescentam tecido para recobrir raízes expostas ou espessar gengivas finas, conforme o caso.
- Cirurgias de remodelação. Ajustam o contorno da gengiva e, quando necessário, do osso, para restabelecer condições de higiene e permitir restaurações adequadas.
Cada técnica tem indicações e limites próprios. O que é possível esperar em cada situação é conversado antes, com franqueza, inclusive sobre o que a cirurgia não consegue recuperar.
Como é a recuperação
Os procedimentos são feitos no consultório, com anestesia local. Nos primeiros dias é comum haver inchaço leve, desconforto controlável com a medicação prescrita e sensibilidade na região operada. A maioria das pessoas retoma as atividades normais em um ou dois dias, evitando apenas esforço físico intenso na primeira semana. Os pontos, quando usados, são removidos em geral entre sete e catorze dias.
Cuidados após a cirurgia
As orientações completas são entregues por escrito no dia do procedimento. As linhas gerais:
- não escovar a região operada até a liberação: a higiene ali é feita com o produto indicado na receita;
- alimentação fria ou morna e macia nas primeiras 24 a 48 horas;
- não fumar: o cigarro prejudica diretamente a cicatrização;
- evitar esforço físico intenso na primeira semana;
- tomar a medicação conforme a prescrição, sem interromper por conta própria;
- comparecer às consultas de acompanhamento, que fazem parte do procedimento.
Qualquer sinal fora do esperado (sangramento que não para com compressão, dor que aumenta em vez de diminuir, febre) deve ser comunicado imediatamente pelo telefone do consultório.
Depois da cicatrização, a região operada entra no mesmo circuito de acompanhamento do restante da boca: o programa de manutenção periodontal, que protege o resultado obtido.
