Para pacientes
Tratamento periodontal não cirúrgico
A maior parte dos casos de doença periodontal é tratada sem cirurgia. O objetivo do tratamento não cirúrgico é remover a causa, isto é, a placa bacteriana e o cálculo (tártaro) aderidos à raiz, e devolver ao paciente condições de manter a região limpa no dia a dia. O que ele envolve, em ordem:
Diagnóstico e periograma completo
Tudo começa pela medição. No periograma, cada dente é examinado em seis pontos com uma sonda milimetrada: profundidade de bolsa, sangramento à sondagem, retração e mobilidade. Radiografias complementam o exame mostrando o nível ósseo. O resultado é um mapa objetivo da boca, que define o diagnóstico, orienta o plano de tratamento e serve de linha de base para comparar a evolução nas etapas seguintes.
Raspagem e alisamento radicular
É o núcleo do tratamento. Com instrumentos específicos, remove-se o cálculo e a placa aderidos à superfície da raiz, dentro da bolsa periodontal, e a superfície é alisada para dificultar nova adesão de bactérias. Não é a “limpeza” de rotina do consultório: é um procedimento clínico dirigido às regiões doentes, feito por quadrantes ou sextantes conforme o caso.
Como é a sessão. O procedimento é feito com anestesia local quando as bolsas são profundas ou a região é sensível, o que torna a sessão confortável. Cada sessão costuma durar de 45 a 90 minutos, dependendo da extensão tratada.
O que esperar depois. Nos primeiros dias pode haver sensibilidade ao frio e leve desconforto na gengiva, que tendem a diminuir progressivamente. Em geral, analgésico comum resolve, quando necessário. Como a inflamação regride e a gengiva desincha, é comum ela “assentar” e alguma retração se tornar visível, sinal de tecido voltando à saúde, não de piora.
Quantas sessões são necessárias. Depende da extensão e da gravidade. Casos localizados podem ser resolvidos em uma ou duas sessões; casos generalizados costumam exigir de duas a quatro, às vezes mais. O número exato só pode ser definido depois do periograma, e é combinado com o paciente antes de iniciar.
Orientação de higiene
A raspagem remove o que o paciente não alcança; a rotina diária impede que o problema volte. Por isso a orientação de higiene é parte do tratamento, não um anexo: técnica de escovação adequada ao seu caso, limpeza entre os dentes com fio dental ou escovas interdentais no tamanho certo de cada espaço, e adaptações para regiões de difícil acesso. A orientação é revisada nas consultas seguintes, com base no que o exame mostrar.
Reavaliação
De quatro a oito semanas após o término da raspagem, o periograma é refeito e comparado ao inicial, medida a medida. Três desfechos são possíveis:
- Resposta adequada. As bolsas fecharam e o sangramento cessou. O paciente segue para o programa de manutenção periodontal, com intervalo definido pelo seu perfil de risco.
- Resposta parcial. Algumas regiões respondem, outras não; essas podem ser retratadas ou observadas de perto.
- Bolsas residuais profundas. Em regiões que não respondem ao tratamento não cirúrgico, a cirurgia periodontal pode ser indicada, sempre como decisão discutida caso a caso.
Nenhum resultado é prometido de antemão: a resposta depende da gravidade inicial, dos fatores de risco de cada pessoa (tabagismo e diabetes pesam) e da rotina de higiene. O que o método garante é outra coisa: cada decisão é tomada sobre medidas objetivas, comparáveis de uma etapa para a outra.
