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Ana Junqueira · Periodontia e Prevenção · CRO-SP 28795 · Pinheiros, São Paulo

Para profissionais de saúde

Interface médico-odontológica

Esta página é dirigida a médicos que acompanham pacientes cuja condição sistêmica interage com a saúde periodontal, ou cujo tratamento exige adequação prévia do meio bucal. O consultório está a poucos minutos do complexo do Hospital das Clínicas e mantém canal direto para discussão de casos: formulário e contato na página de encaminhamento.

Em todos os tópicos abaixo, o texto se restringe ao que a literatura sustenta; as afirmações de associação não devem ser lidas como causalidade estabelecida, e os marcadores indicam onde a referência bibliográfica será inserida.

Periodontite e controle glicêmico no diabetes

A relação entre periodontite e diabetes mellitus é bidirecional na evidência disponível: a hiperglicemia mal controlada associa-se a maior prevalência e gravidade de periodontite, e a periodontite grave associa-se a pior controle glicêmico [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]]. Metanálises de ensaios clínicos descrevem redução modesta de HbA1c após terapia periodontal não cirúrgica em diabéticos tipo 2, da ordem de décimos de ponto percentual em três a seis meses [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]].

Implicação prática: pacientes diabéticos beneficiam-se de exame periodontal de rotina, e o paciente com controle glicêmico difícil e periodontite não tratada tem na terapia periodontal um coadjuvante plausível e de baixo risco. O retorno ao endocrinologista inclui relatório com o diagnóstico periodontal, o tratamento executado e o plano de manutenção.

Avaliação odontológica prévia a radioterapia de cabeça e pescoço

A radioterapia em campo que inclua as glândulas salivares e os maxilares altera de forma permanente o risco estomatológico do paciente: hipossalivação, mucosite, cárie de irradiação e, como complicação mais temida, osteorradionecrose, cujo principal fator precipitante descrito é a exodontia pós-radioterapia em área irradiada [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]].

A conduta preconizada é a adequação do meio bucal antes do início da radioterapia: exame periodontal completo, remoção de focos infecciosos, exodontia de dentes de prognóstico ruim com prazo adequado de cicatrização antes da primeira fração ([[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]] quanto ao intervalo), e instituição de protocolo preventivo. A prioridade de agenda para esses casos é imediata, dada a janela terapêutica curta entre a decisão oncológica e o início do tratamento.

Terapia com antirreabsortivos e adequação prévia do meio bucal

Bisfosfonatos e denosumabe, em especial nos regimes oncológicos, associam-se ao risco de osteonecrose dos maxilares relacionada a medicamentos (MRONJ). A literatura posiciona a exodontia e a infecção dentoalveolar (incluindo a doença periodontal) entre os fatores de risco locais relevantes [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]].

Antes do início da terapia antirreabsortiva, sobretudo em dose oncológica, recomenda-se avaliação odontológica com tratamento das infecções ativas e extração dos dentes sem prognóstico, com cicatrização concluída antes da primeira dose ([[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]]). Em pacientes já em uso, o objetivo passa a ser o controle rigoroso da doença periodontal para reduzir a necessidade futura de procedimentos invasivos. O manejo é coordenado com o prescritor, incluindo a discussão de janela de administração quando procedimento cirúrgico for inevitável.

Pacientes imunossuprimidos e transplantados

No paciente imunossuprimido (transplantado em uso de inibidores de calcineurina, paciente onco-hematológico, usuário crônico de imunossupressores), a cavidade bucal é porta de entrada relevante para infecções, e a doença periodontal representa carga infecciosa e inflamatória evitável. Situações específicas de interface:

  • Pré-transplante: adequação do meio bucal com eliminação de focos infecciosos dentários e periodontais antes da imunossupressão [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]];
  • Crescimento gengival medicamentoso: associado classicamente a ciclosporina, nifedipino e fenitoína; o controle periodontal reduz a expressão do quadro e a necessidade de correção cirúrgica [[REFERÊNCIA A CONFIRMAR]];
  • Neutropenia prevista (quimioterapia): tratamento periodontal programado para janelas hematológicas adequadas, em coordenação com a equipe assistente.

Como funciona o encaminhamento médico

O paciente encaminhado por médico é recebido com prioridade compatível com o contexto clínico. O médico assistente recebe, por escrito: diagnóstico periodontal com periograma, tratamento proposto e executado, intercorrências relevantes e plano de manutenção. Nenhuma conduta odontológica que interfira no tratamento médico é tomada sem alinhamento prévio. O canal direto para discussão de casos está na página de encaminhamento.